Numa tarde de outono, avistei de dentro do ônibus, lá longe, uma árvore.Essa, só galhos devido à estação, mas num canto, quase que escondido, se encontrava um botão de Ipê.
Ele parecia que lutava contra o vento e a chuva para manter-se intacto, para esperar seu desabrochar. E foi assim que acontceu com Uni, uma menina em plena puberdade. Cheia de deslumbramentos, curiosidades e dúvidas.
Desde pequena, ela sempre foi fascinada por maquiagem. No comeõ, não saía de casa sem batom e as unhas pintadas. Com o tempo, Uni foi crescendo, e seu, digamos, vício, só aumentou. Com as espinhas, seu "kit" adquiriu base, corretivo, pó compacto, e por aí vai. E nem adiantava dizer que tanto pó só ia entupir seus poros. Sua mãe, mesmo que de brincadeira, diversas vezes chegava a perguntar:
- Esqueci até como é seu rosto minha filha!
Uni, não se abalava, não conseguia mais viver sem essa máscara. Uni, não se aceitava, e todo dias implantava mais um cosmético na sua coleção. Mesmo que fosse inconsciente, ela acabava fazendo isso, por puro desejo de se penetrar no padrão, o padrão de massa da beleza.
Mas por dentro ela era como um botão de flor, no qual só se vê a supérfície, que se usa como escudo dos problemas. faltava a ela, perceber o quão uma flor aberta irradia beleza, o quão uma flor aberta é forte. E como já dizia seu nome, é UNIca.
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